(imagem da net)
Sou uma previlegiada.
As amigas que tive na infância são e continuam minhas amigas.
Não são muitas, mas são preciosas!
E tu minha querida és uma delas.
Lembras-te da nossa primeira depilação?
Cortámo-nos com a gilete na tua banheira, lembras-te?
E o que a tua mãe ralhou connosco!
E a primeira sensação de coração a saltitar porque achavamos que estavamos apaixonadas por aquele rapazito...lembras-te?
E a festa de casamento das tuas barbies!
lembras-te do reboliço que foi porque não convidaste aquela que achávamos invejosa? E tinhas medo que ela fosse agoirar a felicidade da Barbie e do Ken?
Lembras não lembras?
Casaste a Barbie e o Ken na capela!
E depois fomos lanchar, numa imitação mais-que-perfeita de um copo de água, com direito a fotógrafo e tudo!
E quando fui internada aqueles 15 dias de horror?
Choraste tanto amiga...querias dormir lá no hospital, fizeste a vida negra à tua mãe naqueles dias!
Depois...lembrei-me de te escrever aquele bilhete a dizer que tinha saudades tuas e choraste, choraste...
Lembras não lembras?
Mas lembras também dos momentos bons!
aqueles que já na altura eram roubados por tratamentos, internamentos, e da tua parte as tantas operações que fizeste.
Do dia da minha despedida de solteira.
Da noite anterior ao meu casamento, no teu carro, em que as horas passaram e nem notamos, do desabafo que te fiz tantas vezes e tu, fiel que és, os guardas só para ti.
O dia do meu casamento...
Lembras não lembras?
O dia em que fui mãe pela primeira vez.
O dia em que fui mãe de um anjo.
O dia em que fui pela terceira vez.
Amiga...o pior que posso sentir é impotência.
É o que sinto neste momento, porque não posso aliviar-te nem um pouco. Não posso curar-te desse sofrimento atroz, não posso fazer magia e fazer com que tudo passe.
Não posso.
Mas posso continuar aqui, a ouvir-te, a chorar e gritar contigo, a fazer-te acreditar num dia melhor.
Vou tentar acreditar nesse dia...mais uma vez, mesmo sabendo que não vai ser fácil.