terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Já?


(imagem da net)

Este meu tão meu blog na blogosfera plantado ultrapassou as 60.000 visitas e ninguém me avisa?
Muito obrigada querida(o)s pachorrenta(o)s.
É tão bom saber que estão aí!
Beijinhos a todos, voçês são os maiores!
E eu...uma sortuda por vos ter aí, desse lado de um monitor!
Tão bom!!!

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Parabéns Mamã


A minha fantástica mãe festeja hoje mais um aniversário.
De manhã, antes de lhe abrir a porta, combinei com as pequenas que assim que a avó entrasse iríamos dizer “Parabéns” ao mesmo tempo.
Assim foi....correu bem!
A pequena-maior saltou para o colo dela.
A pequena-mais-pequena, em bicos dos pés e de braços esticados, tinha os olhos fechados e um beicinho esticado pronta para beijar a avó.
Como a avó estava com a irmã ao colo começou a barafustar, a ideia dela seria dizer qualquer coisa que se fizesse entender...que não foi o caso, ao que lhe digo:
-Sim filha, mas agora diz isso em português!”
-?
-Diz isso...mas em português!
-Num xei mãe.
-Não sabes o quê?
-Num xei tutulês...

Parabéns mamã, sei que estou a caminho dos 40, podia passar a 
chamar-te de mãe apenas...mas serás sempre a minha mamã! 
Afinal os pilares de vida não têm idade, pois não?

sábado, 28 de janeiro de 2012

Primaça...

Surpresa!
A esta hora deves estar com a mão à frente da boca, os olhos brilham e estás a dizer ao meu primaço "oh Xu anda cá, não acredito!"
Acertei...certo?
Mas este post é mesmo para ti.
Na verdade foi pensado depois do comentário que deixaste no post abaixo, que posso garantir que me emocionou...e muito.
Falámos há pouco.
Repito aqui parte do que te disse: se precisamos das pessoas quando estamos mal, eu preciso sempre de ti quando estou bem, porque se há pessoa que festeja as minhas vitórias és tu!
Sem nada em troca...o que exiges é apenas que esteja bem, que esteja feliz, e mais importante...desejas que seja feliz!
E tu...és a pessoa mais fantástica que podia ter, diariamente, para festejar comigo, para chorar comigo, para me ouvir, para me aconselhar.
Sabes...ainda existem pessoas puras.
TU és uma delas.
E também como escrevi num comentario no teu blog, és tão pura que chegas a assustar...tenho medo que te usem, que te magoem...
Mas é assim que te adoro muito.
É assim que te admiro ainda mais.
E tu sim, és a minha inspiração! A tua força, a tua garra, o teu pensar positivo!
És um privilégio!
Obrigada primaça...só por existires, só por fazeres parte não da minha família mas da minha vida!
Da minha VIDA!
Agora pára lá de chorar se faz favor!
A cada dia que passa sinto mais certezas.
As dúvidas fazem parte, não devem ser motivo de grande preocupação, mas quando se transformam em certezas sentimo-nos mais leves.
Não são também motivo de gritar grandes vitórias....são motivo de continuar, dia após dia, a acreditar que um dia, num mês qualquer, num ano qualquer, vamos acordar, viver, e em vez de sonhar vamos querer ficar acordados para ter mais uma certeza...é mesmo verdade, o nosso dia chegou.
Acredito cada vez mais...nesse dia.
Não posso acreditar no contrário, estas adversidades todas têm que ter uma recompensa.
E cá para nós...preciso tanto de ser recompensada!

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Constatação (muito) minha

(imagem da net)

Na semana passada, num evento que houve na escola que frequentei, falava com uma amiga quando chegou uma pessoa que conheço, de vista, e se juntou a nós.
Cumprimentamo-nos com o normal “Olá tás boa?” e quando dei conta agarrou-me a mão com força e disse “Vi-te na televisão...olha fartei-me de chorar...falaste tão bem! Até a apresentadora tava emocionada a olhar para ti”.
Fiquei a pensar não na frase em si, mas na forma como disse.
Em momento algum duvidei da sinceridade dela, mas dei por mim e fiquei a pensar na capacidade que temos em transmitir às outras pessoas o que nem sempre somos, o que nem sempre corresponde ao que sentimos, seja bom ou mau.
Na verdade, e apesar da minha breve participação ter sido há 4 meses, sei que não estava calma, aliás estava muito nervosa, como consegui passar a ideia de que estava tranquila?
Agora fazendo um breve rewind...foi uma altura péssima da minha vida, a minha filha tinha saído do hospital após o acidente, a nível pessoal estava com guerras em aberto dentro de casa, sentia-me esgotada e...estive bem?
Ponderei até nem aceitar o convite por não me sentir confiante!
Mas tal como considero os olhos o melhor espelho que podemos ter também considero o coração essencial para se veja melhor.
Se sentirmos a essência das coisas...vemos melhor!
E eu senti tudo o que disse, falei de coração e com o coração.
Não estudei nada antes de entrar para aquele direto, apenas e só quis não entrar em detalhes num episódio vivido ou sobrevivido no hospital aqui do distrito, não quis detalhar a maneira imprópria como falaram comigo, e consegui faze-lo, mas de resto...segui o meu instinto e acreditei que talvez pudesse ser últil para alguém, e como uma pessoa muito especial que amo muito me disse “basta ajudares uma pessoa para valer a pena, basta seres tu própria”.
E nunca deixei de ser eu própria.
E sei que ajudei.
Pude comprovar que infelizmente ou felizmente...ajudei!
Atingi com sucesso o objetivo da minha presença.
Logo...falei bem!
Os olhos dos que nos vêm depende da forma como o nosso coração fala...constatação minha...muito minha.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

É só um bocadinho


(imagem da net)

Também preciso de me recolher no meu casulo, de quando em vez.
Permito recolher-me tal como permito exteriorizar-me, admitindo, no entanto, que não gosto da sensação desta necessidade.
Mas...e há sempreum ou mais “mas”...
Preciso por vezes de algum silêncio mesmo preferindo música.
Preciso por vezes de estar sozinha mesmo preferindo companhia.
Preciso por vezes de ler um livro só quando as pequenas estão a dormir, mesmo preferindo ler com elas ao pé de mim.
Preciso por vezes que ninguém fale comigo, ninguém me questione, mesmo preferindo comunicar no meu dia-a-dia.
Preciso neste momento de estar assim...não desculpando os motivos, por tenho-os, preciso de me fazer esta vontade, esta necessidade.
De nada vale explicar, dizer o porquê...não por vergonha ou desmérito, apenas e só porque...preciso!
Conheço-me tão bem que sei que em breve fico igual a mim mesma, assim como sei que os primeiros dois meses de um novo ano são cruéis, avassaladores, em que há dias em que acho que vou partir, quebrar, sei lá...é como se voasse para outra dimensão mas sabendo sempre o que me mantém enraizada à minha realidade.
Há dores tão indescritíveis que nem com lágrimas aliviam, apenas viver estes dias assim...recolhida.
É só mesmo um bocadinho...o meu bocadinho de novo equilibrio.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Aos poucos...

(imagem da net)

...tenho aprendido a substituir algumas frases ou expressões da minha rotina.
Podia dizer que era do meu vocabulário, e talvez seja, mas não só, porque não é só o ato de dizer mas de agir.
Expressões como “não sei fazer” têm sido substituídas por “nunca fiz mas vou tentar”.
Porque é diferente o não saber verdadeiramente da suposição de se char que não se sabe.
E tudo o que fazemos vai-se tornado hábito, se metermos na cabeça que não sabemos fazer...não fazemos, muitas vezes nem tentamos.
Outra expressão que tendo vindo a substituir é a máxima “sempre fiz assim” por “vou tentar fazer de outra maneira”.
Flexibilidade é necessária até na forma de agir, de reagir.
Depois uma pequena palavra que acho que faz toda a diferença no dia-a-dia.
O “se”.
O “se” tem uma capacidade gigantesca tanto para a negação como para a aceitação.
Não deixa de ser omnipresente no discurso diário de todos nós.
Se utilizarmos o “se” de forma depreciativa podemos bloquear, não nos vai dar energia alguma para coisa alguma.
Ficamos ali, à sombra desse “se” mau que nos tirou ou deixou de dar tantas coisas.
Com ele vem o medo, e o medo também nos faz estagnar, paralisar, faz-nos sentir incapacitados.
Se utilizarmoso “se” virtuoso ficamos com alento.
Funciona como catalisador de vontades, ambições, projetos a curto ou médio ou mesmo longo prazo, ficamos com energia para tentarmos, para mandar embora o medo, para nos fazer premir o gatilho da força e nos podermos tornar resilientes.
E ser resiliente é isso mesmo, é saber o que nos dói, o que nos aborrece, o que nos tenta tirar forças, mas saber também que um dia vai passar, dure o tempo que durar...passa!
Aprendi a caminhar com as mudanças que sou alvo, com as mudanças que tenho sido obrigada, mas acima de tudo com as mudanças pelas quais eu lute.
Se” não acertar hoje não posso culpar o “se tivesse feito” porque...fiz, e acima de tudo acertarei amanhã, ou depois, mas algum dia hei-de acertar!

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

(imagem da net)

Nada é perfeito.
As pessoas não são perfeitas.
As relações de amizade não são perfeitas.
As relações amorosas não são perfeitas.
Os momentos, os instantes sim, podem ser perfeitos.
Mas a perfeição não tem sítio cativo.
A amizade é um sítio.
Só entra quem tem que entrar, só permanece quem tem que permanecer, só perdura se lá, nesse sítio, não houver falsidades, caras disfarçadas, jogos duplos, e sim se existirem vários instantes perfeitos.
O amor também é um sítio.
Lá, neste sítio, mais ninguém consegue entrar para além de duas pessoas que lá habitam, juntas pela imperfeição que ambas criam e recriam, inventam e reinventam.
Não há sitios / amores lhanos.
Não há sítios dificeis / amores difíceis.
Há sítios únicos, por isso imperfeitos e possíveis de serem prolongados num espaço de tempo sem fim à vista, com momentos perfeitos, breves, marcantes, longos e insitentes.
É isso...a imperfeição existe e é para ser vivida, alimentada sempre pelo lado racional, equilibrado, inteligente e arrojado, talvez numa imitação de alimentação de perfeição para a imperfeição.
Só os arrojados, os audazes, os valentes conseguem perceber a perfeição das imperfeições.
Há quem acredite em perfeições, quem viva amizades perfeitas, amores perfeitos, com vidas perfeitas...são as pessoas perfeitas!
Compreendo e respeito que existam, afinal sou imperfeita só posso mesmo é respeitar quem é perfeito.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Estabilidade emocional

É importante em todos, mas nas crianças é bem mais.
Tendo as emoções estabilizadas têm concentração na escola e em todas as atividades diárias, até mesmo durante o sono, não fossem elas cheias de vitalidade....para dar e vender!
O que escrevo é o que penso, não tenho base nenhuma em termos científicos nem estudos feitos não-sei-onde, é o que sinto mediante a caminhada desta missão "mãe".
A pequena-maior nem sempre está...controlada emocionalmente.
Tem motivos para isso....muitos até.
Sei que não tem passado momentos muito bons, na verdade tem sofrido com situações que tem vivido nisto que é o mundo dos adultos, para não falar no acidente e no que viveu, tem ainda a diabetes como realidade.
Para quem não sabe, e ainda bem, a diabetes interfere muito com o sentido de humor.
Há alturas do dia em que os picos de humor são muito variados, pode passar-se de um estado de euforia ou excitação para um estado de tristeza.
Palavra de diabética há quase 27 anos...
Por saber isso, por sentir isso, não exigo nada da minha filha a não ser que converse comigo.
Nem sempre é fácil explicar motivos porque...nem sempre são visíveis, muito menos percebidos.
Hoje a pequena está assim...carente de mais atenção, de mais mimo, de mais incentivo.
Eu cá estarei...sem pedir satisfações...

domingo, 15 de janeiro de 2012

Mr/Mrs Know it All

Quem não conhece esta espécie?
Gostaria de dizer espécie em vias de extinção, mas parece-me que é espécie para durar e durar...
Da parte que me toca, irritam-me.
Conseguem em segundos tirar-me do sério, da calma, da tranquilidade em termos de sanidade mental.
Quem lhes deu o direito de pisar outros? Foi à nascença?
Quem julgam que são para sufocar sonhos de outras pessoas? Que legitimidade têm? Sério, gostava mesmo que me indicassem um motivo que fosse...
Depois e porque não têm argumentos, desaparecem do mapa, deixam de ser o que aparentavam, fogem, sempre que alguém lhes faz frente e lhes diz na cara que não o fazem á minha frente, porque não o permito.
Argumentam-se, esforçam-se, mas não conseguem convencer-me, porque há situações que não quero mesmo saber, não quero mesmo ouvir.
Há situações que não permito...ofenderem, subestimarem, pisarem amigos meus, aqueles que leio só pela voz, pelo olhar, aqueles que cresceram comigo, que sei quem são e sei no que acreditam, e ninguém lhes vai dizer que acreditam mal e que não vão conseguir o que ambicionam....à minha frente não o fazem, e nas minhas costas podem fazer até o dia que eu o descubra.
Nunca disse que era perfeita, nem quero....mas sou assim....
A quem de direito desejo um resto de bom fim-de-semana, e se não for pedir muito aproveitem e vão arranjar vida própria, vão comprar um espelho e olhem-se!

sábado, 14 de janeiro de 2012

Respostas na ponta da língua

Da pequena-maior:

Estava a ralhar com ela porque anda sempre descalça, e depois de a avisar mais uma vez disse-lhe:
-Olha acho que se te desse agora uma palmada que ias calçar-te com uma pinta...
-Achas mãe? Eu não, ias chorar logo a seguir...não vás por aí mãe!
-Então vou por onde? Se calhar vou é dar as tuas pantufas a outras meninas, não as usas!
-Não, também não. As pantufas condizem com os pijamas e depois tinhas que comprar outras...
-Então já sei, vou deixar de me chatear, queres ficar doente fica, não quero saber! Depois vais sozinha ao médico e...
-Oh mãe anda cá, dá cá um beijinho que vou-me calçar.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Às vezes

O "meu" gabinete de trabalho parece um consultório.
Uns aparecem porque lhes dói a cabeça, e se calhar tenho comprimidos.
Outros porque andam com tonturas e ouviram dizer que tenho o aparelhómetro que mede a tensão.
Umas porque foram visitadas inesperadamente pelo "amigo mensal", tão importante e inoportuno algumas vezes, e....se calhar tenho algo que as ajude.
Outras porque querem companhia para um café a seguir a outro que acabaram de tomar.
Uns porque a filha é pequena e a mulher está com aquelas crises hormonais e não tem paciência, como tal querem saber se é normal a criança de 2 meses mamar de 2 em 2 horas.
Outros, fora dali, via skype perguntam se é normal as mulheres se chatearem com eles só porque não apetece peixe para o jantar.
Qualquer dia vou trocar a identificação lá da minha tasca e passar a chamar "Apaga-fogos-de-serviço".
Depois, sem mais nem menos, ainda me dizem ao ir embora "tás com cara de cansada", entao não?
Depois sem dar conta vou para casa a pensar...será que passou a dor de cabeça ao outro? E a bebé do outro, se calhar são cólicas tadinha...já para não falar do outro que tem a mulher com a telha por causa do jantar, realmente haja paciência...
Até parece, pois com certeza, que não tinha mais nada em que pensar né?
Sinceramente.
Depois num supermercado qualquer estou na risada com a sobrinha mais velha e sinto um toque nas costas, quando me viro vejo um amigo a dizer "Só podias ser tu pelo riso parvo".
Ah ah, por acaso....
Vou ali bater com a cabeça já volto....

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Culpas desculpadas

Todos nós, em qualquer momento da nossa vida, sejam décadas, semanas, dias, ou agora, temos receios de falhar, de errar, de decidir mal.
Claro que não sou exceção, mas já tive mais receios do que atualmente, talvez por já ter errado algumas vezes.
Sem perder muito tempo em pensar nelas, sei que foram mea culpa, não culpo mais ninguém para além de Myself.
Podia fazê-lo, com culpados identificados seria mais fácil, também podia culpar os raios cósmicos, desde que me enganasse e não me assumisse.
Mas não sou assim, fiz o que achei melhor, sinal que tomei rédeas da minha vida, sinal que fiz planos, que me comprometi com alguma coisa, que decidi, e se agora afirmo que foi mal feito ou mal decidido é porque o fiz!
Apesar de nunca ter tido grandes oportunidades de manifestar as minhas opiniões ou gostos, nunca me encostei no sofá à espera que alguém decidisse a minha vida, sempre fiz por mim mediante o que podia e a liberdade que me davam.
Nem sempre concordei com algumas coisas, mas sempre soube desempenhar o papel filha, sempre soube que a gratidão e respeito que poderia dar em troca de não´s sem justificação aparente, era porque por qualquer motivo era o melhor para mim, e acima de tudo nunca envergonhei os meus pais.
Nunca soube o que era dormir toda a manhã, porque sempre ajudei a minha mãe desde muito pequena, e já maior ajudava o meu pai com as papeladas.
Nunca soube o que era férias de escola porque ia trabalhar para e com os meus pais.
Nunca soube impor-me porque respeitava o que me diziam, mesmo não percebendo o fundamento dos não´s que me davam.
Nunca soube mentir, e por ser sempre sincera deixei de viver tantas coisas próprias da idade.
Não os culpo, antes pelo contrário, só tenho a agradecer por isso, mesmo não concordando ainda hoje com tantas exigências que me eram feitas, agora sou eu que estou neste lado, o lado da proteção de duas filhas, da educação que tento ser a correta, e como tal agora tenho que fazer o que considero importante para elas, nunca esquecendo que continuo a desempenhar o papel de filha.
Aprendi a ouvir-me, sempre me ouvi mas nem sempre me dei voz.
Aprendi a libertar-me, sempre me conheci mas nem sempre me dei a conhecer.
Aprendi a acreditar num dia melhor.
Aprendi a festejar as minhas vitórias, insignificantes para uns e grandiosas para mim.
Aprendi a viver as minhas angústias.
Sou a responsável pelo que fiz de mal e pelo que tenho feito de bom.
Culpo-me por ser quem sou.
Desculpo-me por gostar de mim assim...culpada.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Divagações

(imagem da net)

Noutro dia, ou um dia desdes qualquer, dei por mim a pensar na sociedade em que vivemos.
Tenho este grande defeito....gosto de pensar, não quer dizer que pense alguma coisa de jeito, mas penso.
Então dei por mim e fiquei preocupada com o que as minhas filhas poderão ou não esperar, de futuro.
Não me refiro a condições de vida, ou se vão poder ou não tirar o curso que querem, ou se vão ou não ter um trabalho que as realize.
Refiro-me a valores, tão pouco frequentes hoje em dia, valores em desuso.
As pessoas hoje são cínicas, andam mascaradas de boas qualidades, de simpatias, de educação.
Vão pelo mais fácil, pelo que cansa menos.
Para o lanche da escola os miúdos levam bollycaos ou bolachas cheias de açucar, porque é mais fácil pôr isso na mochila, trabalhoso é fazer uma sandes.
Não há tempo!
No trânsito a impaciência prevalece.
Apita-se porque o carro da frente vai a 20 à hora e....estamos com pressa!
Numa fila de supermercado não damos a vez a um idoso porque ele não tem mais que fazer, até deve estar reformado, tem todo o tempo do mundo e nós...nós temos pressa!
Para quê sorrir para um desconhecido? Não se conhece de lado nenhum!
Prevalece a insensibilidade!
Hoje em dia qualquer frase como “bom dia” ou “boa tarde” se torna caro....epá não há tempo para essas mariquices!
As relações humanas tendem a ficar de mal a pior.
Não há paciência nem tolerância para pseudo-amizades.
Exigimos de tudo e de todos.
Já só falta passarem a existir acordos escritos entre amigos, um assina em cima outro em baixo, se a meio da amizade um decide questionar uma vírgula que seja....sai fora!
Já para não falar noutro tipo de relações....não há tempo para cativar, para elogiar, para dizer “Gosto de ti”.
Mariquices, larilices, lamechices...é assim que se pensa, não se diz o quanto se precisa de outro alguém, o medo de ser envergonhado, de ser gozado, de ser usado.
No mundo do trabalho a coisa não difere.
Vale tudo, se é para subir subimos!
Passa-se por cima de tudo e de todos, e quando não há argumentos vem a ofensa como fim de conversa, como ponto final, e sem parágrafo.
Ontem, numa reunião de trabalho, disseram-me “estás inspirada Autora”, pois de facto não estava, estava munida com algo que se chama “razão” ou “saber fazer” ou “não me pisem os calos”, e quando a tenho nem a entidade patronal me faz calar ou engolir em seco. Mas por a ter não me dá direito de subestimar ninguém, dá-me a legitimidade de me defender, e isso basta-me, mas para isso têm que me ouvir!
E ouviram...mas continuando...Nem na política temos políticos, temos sim actores ou fantoches, vivem a decorar textos que alguém escreve, todos menos eles próprios, apenas dão voz ao que decoram, resta saber se na verdade concordam ou não com aquilo.
Hoje em dia não se pensa antes de se falar.
Hoje em dia estamos rodeados de monos emocionais, de monos profissionais...atrevo-me a dizer monos humanos onde nem sempre se aplica a máxima “penso logo existo”, pois existem por existir.
E pior que ser mono de toda a natureza é ainda conseguirem dormir descansados....
É por isto, também, que gosto de andar cá...sem máscaras, e fora de moda.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Viva a Autora!!!!

Ganhei coragem este fim-de-semana e pensei em mim.
É verdade!
Nataçao, caminhadas, que se traduz em exercício, certo?
E o que ganhei em troca?
Para além de redescobrir pseudo-músculos em locais completamente desconhecidos ou esquecidos, ganhei uma constipação!
Não é fantástico?
E a culpa foi de quem?
Do responsável de manutenção daquele tanque cheio de água a quem alguém chama de piscina, que decidiu por-se a limpar e mais-não-sei-o-quê mesmo na altura que eu estava para entrar, o que fez com que estivesse 10 minutos a arrefecer o esqueleto e ter sentido uma pequena vontade de o afogar.
Como não o afoguei...constipei-me!

sábado, 7 de janeiro de 2012

Educação ou curso de etiqueta ou coisas assim

Nem parece Janeiro.
Sol, algum calor, e eis-me com as minhas pequenas num passeio, que terminou num café virado para o mar para lancharem e eu saborear o meu fantástico café.
Mais mães/pais pensaram o mesmo.
Num café, num restaurante, em qualquer sitio onde seja suposto as criancinhas ficarem quietas, é sempre uma aventura porque....as minhas não param, e que me lembre só tenho dois braços e uma cabeça.
Mas hoje, só hoje, dei por mim a rir sozinha.
Fantástico, eu sei...mas de facto eu e eu divertimo-nos muito.
Mas é que há mães que me tiram do sério, ou da pouca paciência que me caracteriza.
As crianças não são adultos em ponto pequeno!
São cri-an-ças!
De pouco vale pedir para se sentarem direitinhos numa cadeira, de pedir para traçarem a perna, de pedir para limpar com delicadeza a boca com aquelas imitações rasca de guardanapos que ficam agarrados às mãos em vez de as limparem, de pouco ou nada vale pedir para não rirem, para não falarem alto.
São crianças!
E já gora ainda não percebi outra coisa que está aqui a fazer certa confusão neurónica: lamber tampas de iogurte não é crime!
Aliás, lamber tampas de iogurte ou de gelado é o máximo!
Adoro!
E saltar nas poças de água também não é crime!
Isso, as etiquetas, ficam para os adultos quando não têm mais nada em que pensar, ou quando têm que agradar...agora quem tem crianças tem que meter na cabeça que....epá que gritem, que saltem, que se chafurdem, que se lambuzem todos!
Não sou menos mãe por pensar assim!
Pior....não sou menos mãe por compactuar com estas anti-etiquetas.
Por falar em etiquetas, que saudades de lamber as tampas de iogurte!!!!

Da pequena-mais-pequena

A pequena-mais-pequena consegue ser o mais reguila e o mais carinhoso possível.
Começando pela parte "pestinha" dei com ela a pintar paredes, com canetas de feltro.
De nada me valeu ralhar porque assim que voltei costas...mais uns rabiscos desta vez azuis.
De seguida umas calças também com novas linhas e decorações, qual Fátima Lopes no design de moda?
Tive a grandiosa ideia de lhe comprar uns marcadores todos xpto que foram pensados para este genezinho de pequenos seres e que lavando saem, em paredes e roupas.
Depois dou por mim e não consigo deixar de achar piada, porque a expressão que usa enquanto está ali a fazer mal às paredes é indescritível.
Terminando com a parte que tem de carinhosa, ontem adormeceu-me.
Agarrada à minha cara enquanto me contava uma pseudo-história, no seu bebelês-português-a-fugir-para-o-chinês, acordei de madrugada com as maozinhas dela ainda em cima de mim.
De volta aos marcadores, e cá para nós, achei a aideia interessante...acham que parece muito mal eu fazer ali umas rabiscadas também?
Sei lá...acho que é mesmo boa ideia!

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

A título de desabafo

(imagem da net)

Há cicatrizes internas que apesar de não se verem estão em nós.
Todos temos.
Também tenho.
São parte de mim, são minhas.
Quando elas me avisam que estão cá, ainda, respiro fundo e tento sorrir, afinal devo-lhes algum crescimento que tive.
Estatisticamente faço parte da população, certo?
Também existo certo?
Então também é legítimo não ter bons dias, talvez seja legítimo ter os meus dias mais...ou menos...
E sim não nego que não sei ignorar o calendário quando ele insiste no início de cada ano há quase 6 anos para cá em lembrar-me delas...as datas!
Depois ouço tanta vez “És forte!” num tom de elogio.
E sabem qual é o problema de se viver na sombra de “pessoa forte”?
É ficar com a sensação que perco a suposta postura, que vou desiludir, que me estou a lamentar, que me sinto uma derrotada, que vou descer de posto, que vou ser alvo de piedade, de julgamentos, de comentários como “ainda não ultrapassaste isso?”
Não é nada disso.
É ter consciência que mesmo não podendo mudar nada, há marcas que têm voz, têm a dignidade que lhes dou, não só por serem minhas porque são parte de mim.
São parte de mim!
Isso não faz de mim uma pessoa mal resolvida, só porque...me lembro!
De facto não me lembro porque não posso nem consigo lembrar de algo que nunca esqueço.
Essas cicatrizes são apenas e só o espelho do que perdi, são a metade de mim que desapareceu e que deu lugar a que não esqueça que ainda tenho a minha outra metade, pela qual vale a pena rir, acreditar, lutar, conquistar, caminhar, viver.
Como escrevi algures lá mais acima aprendi com isso tantas coisas!
Valorizar cada dia, cada rotina, cada abraço, cada sorriso.
Aprendi que vou ser para as minhas filhas uma boa ouvinte, a melhor ouvinte!
Quero que falem, que chorem, que desabafem comigo mesmo que o façam com quem achem que devam fazer, mas que questionem, que confiem, que tenham abertura comigo para dizer qualquer coisa como “merda para isto”, para que possa de seguida limpar as lágrimas e acima de tudo não exigir sorrisos.
Não exigir sorrisos...nem julgar lágrimas.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Há pessoas...

(imagem da net)

...Todos somos únicos, todos temos características próprias.
Mas há pessoas que...
...com elas pertinho de nós temos a sensação de que o mundo até é perfeito.
...com a presença física temos a sensação de que nada nos atinge, nada incomoda.
...com os dedos entrelaçados aos nossos temos a sensação que nunca as mãos estiveram longe.
...com elas somos a nossa verdadeira essência.
Sabem, os puzzles?
Fazem sentido com todas as peças, agora experimentem perder uma...não é a mesma imagem que fica pois não?
Não é a mesma coisa pois não? Pois não...

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Sensação horrível

Já foram perseguidos alguma vez?
A pé?
Em plenas nove e meia da manhã?
Eu fui, no primeiro dia de 2012, desde o café até casa.
E não gostei, aliás é uma sensação horrível.
Apressei o passo e alguém vinha atrás a apressar também.
Assim que pude corri até casa, e depois fui à janela e lá estava o tarado a olhar no meio da rua, de um lado para o outro.
Nunca tinha visto tal criatura, mas se o encontrar novamente sei que não o confundo, marquei a cara de anormal que tinha.
Liguei ao meu pai, que ainda foi atrás dele, mas...os sessenta anos já pesam na corrida.
Agora pensando bem, para começar o ano já tive adrenalina qb, e muitos meses pela frente...

As (pessoas) mal amadas

(imagem da net)

Para inaugurar aqui a tasca em 2012 hoje apeteceu-me partilhar uma posta de pescada resgata do meu baú de memórias.
Felizmente não conheço muitas, mas as que conheço são suficientes para que, de quando em vez, pense nelas....as pessoas mal amadas.
Lembro-me de poucas coisas que vivi na infãncia, e curiosamente falei recentemente sobre isto com um alguém que...gosto muito, e sei que esse alguém sabe a quem me refiro porque sei que me lê...
Recordo uma pessoa em especial, da infãncia e adolescência.
Era bonita.
Olhos verdes.
Simpática.
Alegre.
Por onde passava todos tinham que olhar para ela, e na fase da adolescência essa realidade era mais vincada pelas atitudes e posturas que tinha fora de casa.
Gostava de dar nas vistas, e na verdade dava mesmo.
Gostava de ser falada, e para isso fazia as maiores parvoíces porque o que queria era mesmo...que se lembrassem dela.
Sempre a conheci assim, mas eu conhecia-a melhor que ela própria.
Não usava expressões banais como “bom dia”, usava perguntas como “estou bonita?”.
Era muito possessiva, eu só podia dar-me bem com ela, e quando as minhas amigas iam para minha casa ela fazia cenas completamente descabidas para chamar a minha atenção, desde chorar desalmadamente até tratar mal quem estava connosco. Quando a chamava a atenção e à razão ela ameaçava, gritava, e só parava quando eu a elogiava e dizia que gostava da presença dela, tal como das outras.
Tinha fome de atenção, de protagonismo.
Chegou a tornar-se agressiva ao bater em amigas minhas só porque...estavam em minha casa.
Era carente de afetos, de atenções.
A minha casa era a casa dela. Dormia lá muitas noites.
Chegou a pintar na cara um pseudo sinal junto aos lábios porque...eu tinha um.
Já crescida aprontou comigo e foi posta no lugar dela, depois de inventar coisas muito feias e de me meter numa embrulhada.
E os anos passaram, as vidas seguiram o seu rumo.
Há poucos anos atrás, já adultas, voltou a aprontar comigo.
Foi a gota de água e pus um ponto final.
Mas ela esqueceu isso e sempre insistiu em mim, mesmo sendo diferente para ela.
Hoje em dia vemo-nos uma vez por ano, e confesso que sempre que posso a evito.
Hoje é mãe de duas filhas, mas há algo nela que continua igual: mal amada, o que revela que em nada mudou, ainda não se aceitou, continua sem confiança nela própria o que faz com que desconfie de tudo e de todos, continua com a malícia caracteristica desta falta de amor próprio, continua na sua concha de solidão preferindo interpretar isso como se tratasse de uma perseguição do destino, um karma qualquer.
Continua a fazer questão em ser a “tal” para mim.
E continua a deslumbrar beleza exterior.
E continua sem ter descoberto que ainda vai a tempo de se curar disto que considero ser doença.
Bastava só construir um bocadinho de amor, recriar gestos de gratidão, de meter na cabeça que a beleza exterior um dia pode acabar, pois pode...
O exterior até já pode ser adquirido, hoje em dia, com operações de estética ou cremes milagrosos ou roupas escandalosas, wathever...
Mas o interior, o verdadeiro, o importante, a poção única e mágica que nos dá paz interior, essa está a anos luz da beleza exterior.