Todos nós, em qualquer momento da nossa vida, sejam décadas, semanas, dias, ou agora, temos receios de falhar, de errar, de decidir mal.
Claro que não sou exceção, mas já tive mais receios do que atualmente, talvez por já ter errado algumas vezes.
Sem perder muito tempo em pensar nelas, sei que foram mea culpa, não culpo mais ninguém para além de Myself.
Podia fazê-lo, com culpados identificados seria mais fácil, também podia culpar os raios cósmicos, desde que me enganasse e não me assumisse.
Mas não sou assim, fiz o que achei melhor, sinal que tomei rédeas da minha vida, sinal que fiz planos, que me comprometi com alguma coisa, que decidi, e se agora afirmo que foi mal feito ou mal decidido é porque o fiz!
Apesar de nunca ter tido grandes oportunidades de manifestar as minhas opiniões ou gostos, nunca me encostei no sofá à espera que alguém decidisse a minha vida, sempre fiz por mim mediante o que podia e a liberdade que me davam.
Nem sempre concordei com algumas coisas, mas sempre soube desempenhar o papel filha, sempre soube que a gratidão e respeito que poderia dar em troca de não´s sem justificação aparente, era porque por qualquer motivo era o melhor para mim, e acima de tudo nunca envergonhei os meus pais.
Nunca soube o que era dormir toda a manhã, porque sempre ajudei a minha mãe desde muito pequena, e já maior ajudava o meu pai com as papeladas.
Nunca soube o que era férias de escola porque ia trabalhar para e com os meus pais.
Nunca soube impor-me porque respeitava o que me diziam, mesmo não percebendo o fundamento dos não´s que me davam.
Nunca soube mentir, e por ser sempre sincera deixei de viver tantas coisas próprias da idade.
Não os culpo, antes pelo contrário, só tenho a agradecer por isso, mesmo não concordando ainda hoje com tantas exigências que me eram feitas, agora sou eu que estou neste lado, o lado da proteção de duas filhas, da educação que tento ser a correta, e como tal agora tenho que fazer o que considero importante para elas, nunca esquecendo que continuo a desempenhar o papel de filha.
Aprendi a ouvir-me, sempre me ouvi mas nem sempre me dei voz.
Aprendi a libertar-me, sempre me conheci mas nem sempre me dei a conhecer.
Aprendi a acreditar num dia melhor.
Aprendi a festejar as minhas vitórias, insignificantes para uns e grandiosas para mim.
Aprendi a viver as minhas angústias.
Sou a responsável pelo que fiz de mal e pelo que tenho feito de bom.
Culpo-me por ser quem sou.
Desculpo-me por gostar de mim assim...culpada.
3 comentários:
Tornaste-te na pessoa que és hoje...só deverias sentir orgulho :)
E este texto traduz-se numa mulher admirável. Pelos menos para mim.
Beijinhos
Estás perdoada! Afinal és humana com todas as tuas qualidades e defeitos. És tu, igual a ti própria e adoro-te assim tal e qual sem tirar nem por. Tudo acontece porque tem de acontecer e se não fosse assim era de outra forma e é assim a vida.
Beijocas
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