"E eu acho que cansei de sempre ter tudo pela metade. Amor pela metade, felicidade pela metade, amizades pela metade, e até mesmo pessoas pela metade (afinal de que adianta o corpo, se o coração não está lá?). Cansei de ser sempre a segunda opção, de correr atrás de quem nunca sentiria minha falta, de me importar mais com os outros do que comigo mesma. Cansei de ser a garota boa; aquela que sempre vai aceitar tudo, escutar tudo, estar lá para tudo, e que sempre, sempre, sempre, está bem. Cansei de não querer magoar as pessoas quando todo mundo me magoa, cansei de sentir medo e não falar. Cansei de ser boba, cansei de abaixar a cabeça e, principalmente, cansei de aguentar tudo calada. Cansei de nunca cansar. Cansei de falar “não se preocupe, eu vou ficar bem”. Cansei de mentiras, cansei de mágoas, cansei da minha vida.” (Letícia Sales)
Já vivi por metades.
Já respirei pela metade.
Já acreditei que nunca iria sentir-me de outra forma senão dessa: uma metade.
Já temi a procura das metades que me faltavam.
Já contabilizei esses anos de metades, subtraí o que perdi, o que abdiquei, o que deixei de viver.
Já pesei essas anulações com as potenciais somas que podia ainda viver, cheguei a multiplicar e o resultado obtido foi um vasto número de possibilidades.
Concluí que matematicamente pensando não ia utilizar a divisão, preferi a multiplicação com todas as tabuadas que existem, e as somas que possa ainda fazer.
Descobri esta tendência para a matemática quando dei conta que sou o número 1, depois de tanto tempo a ver-me como um zero.
Também já fui o dois muitas vezes.
E o três.
Até o quatro!
O um estava ocupado com os outros, sempre os outros, e depois dos outros vinham outros outros.
Eu aparecia, de vez em quando, quando tinha tempo para mim, ou quando me lembrava que fazia parte deste mundo.
Destas contas feitas concluí que isso ajudou-me nalguma coisa, tenho essa certeza.
Mas a certeza que tenho agora é que é muito bom ser o número um.
Respirar por inteiro.
Ser por inteiro.
Acreditar por inteiro, mesmo que seja ainda com muitas metades.
Cansar do que cansa permite não cansar do que se quer.
E quando quero...

12 comentários:
Às vezes temos mesmo que ser o número 1, para o nosso bem!
A verdade é que pela metade nunca vivemos...mas muitas vezes serve para sobreviver.
Que te mantenhas sempre inteira minha querida
Beijos
Gostei...mt! E concordo.
Beijo grande.
Força aí:)) agora, depois e sempre o nº1, vá respira fundo :D
Beijinhos inteiros para ti <3
Quando quer... consegue, certo? Então que queira muito, sempre...))
Minha querida...
ADORO tudo o que escreves... e escreves tão bem... tão do coração... tão TU!!!!
Revejo-me neste texto... tanto!!!
Um beijo enorme... mesmo daqueles grandes!!!!!
Activestresss
E é tão bom! Bjinho
Obrigada, vou sim, já não sei ser metade de nada, em que circusntancia for...inteira sempre!
Obrigada, bjoka
Força retribuída para aí...bjokas para ti e Pitinhas
Certíssimo Salvador! certíssimo...
Gaja....obrigada, por tanta coisa...
Bjoka gandi!!!
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