terça-feira, 8 de maio de 2012

Sou a Autora, muito prazer!

(imagem da net)

É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo.”

Ao contrário desta frase...sei dizer quem sou.
Cada vez mais sei quem sou, o que sou, o que quero ainda ser.
Assim como sei o que me limita, o que me fortalece.
Não quero justificações para este fantástico facto...sei e ponto.
Também não tenho medo de falar.
Tenho esta capacidade....falar!
Seja rapidamente, seja lentamente, falo o que sinto, exprimo o que penso, ou será falo o que penso e exprimo o que sinto?
Eu, Autora de Sonhos, sou acima de tudo a Autora da minha vida, com sonhos nuns dias, pesadelos noutros, havendo dias em que poderia perfeitamente chamar-me a Autora-que-pensa-que-é-boa.
Pois de facto não penso, sou mesmo.
Sou boa nisto que é chamado o “saber escutar-me”, o “saber interiorizar-me”, sou mestre nisto de “viver a minha vida” com o lado direito do cérebro vocacionado para o coração, e o lado esquerdo do cérebro direcionado para a razão, bom senso, e saber estar.
Saber estar.
Este é o post do ano!
Não será o último, mas talvez seja o post em que me revelo, e lá se vão os créditos dos caríssimos leitores, porque hoje fica aqui registada a minha falta de modéstia, a minha ignorância nisto de ser hipócrita, onde vou agora escrever também que digo a bom tom que sim gosto muito de mim, sim orgulho-me muito de mim em tudo o que faço, sim aprendo muito com os erros que lá vou fazendo nesta por vezes puta de vida, que não deposito frustações minhas em terceiros, talvez porque não sofro de TPM´s nem carências de qualquer tipo de natureza porque ando ocupada, sou ocupada nisto que é a MINHA vida, onde me entrego de corpo e alma ao que é meu, ao meu sangue, ao meu coração, à minha consciência.
Consciência...esta companheira tão fiel que me acompanhada diariamente para todo o lado.
Hoje fica aqui registado que esta sou eu!

"Não pareço, eu sou”

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Resposta de uma Insensível



O lançamento de balões na Marinha Grande foi um evento da Artémis.
No facebook a associação criou eventos públicos para cada cidade que se fez representar por alguém.
Também tive o “meu” evento....público, daí ter ficado em estado possesso quando hoje de manhã vi o que ontem à noite escreveram, anexando esta notícia de 2008, bastante atual portanto:

"Partilho da vossa dor e sei como custa um dia como o de hoje em que poderíamos ter a nossa estrelinha a crescer dentro de nós.
 Acabo de ter conhecimento da iniciativa da largada de balões que pelo simbolismo é muito bonita mas que não nos apaga a dor e só tem como consequência aumentar a poluição ambiental.
 Podem estar contra a minha opinião mas é de lamentar que alguém se lembre de promover uma iniciativa como esta.
Existem outras formas menos lesivas de prestarmos homenagem às nossas perdas e dores...
.”

Para que se conste, não sou nem cientista, nem bióloga marinha, sou apenas e só uma cidadã que tenta ao máximo estar em dia com o que a rodeia.
Ou será uma burra?
Acerca e sobre balões, os utilizados em largadas são em latéx.
Limitadazinha como sou de cérebro faz-me saber que o látex é biodegradável, e que quando cheios de hélio, sobem não sei quantos kilómetros e chegam a uma altura que, com o frio, rebentam, dividindo-se em muitas partes, que voltam à terra onde se degradam.
De-gra-dam.
Quanto ao hélio, faz parte do composto do ar.
Respondendo ao que me foi dirigido só tenho a agradecer o facto de esta pessoa em questão não ter aderido ao evento, e dizer que lamentável é haver estas preocupações com o balão e com o hélio quando se está rodeado por criminosos de toda a espécie, violadores, assassinos....o raio que os parta a todos.
Agora insinuarem que estou incluída nessa espécie e sou lamentável, tenho a informar que não diz, sugiro que o faça frente ao espelho ou junto de quem lhe fez as orelhas ou amostra de cérebro.
Mas partilho da opinião de que “Existem outras formas menos lesivas de prestarmos homenagem às nossas perdas e dores”, uma delas é não ter que levar com ignorantes.

E por falar em golfinhos...não se preocupe, os que existem lá no lago da Marinha Grande estavam de fim-de-semana na Ribeira dos Milagres, onde a poluição é uma realidade vergonhosa e pessoas como voçê não se preocupam porque não vos convém, logo não foram incomodados nem mortos com os meus balões.
Bem haja!

domingo, 6 de maio de 2012

Muito Obrigada!!!


Não me canso de escrever o quanto sou sortuda.
Hoje, neste dia de lançamento de balões, onde 39 balões voaram em homenagem a bebés que partiram cedo demais, fui presenciada por visitas inesperadas.
Dados os vários motivos de cada uma delas, não estava a contar com a presença delas.
Adoro surpresas, e adorei o abraço apertadinho da Giraça-mais-giraça da blogosfera, a ternura e carinho tão fiel da minha primaça mais linda do mundo e arredores e da sua mãe, da voluntária mais querida do distrito que tanto me ajudou há anos numa campanha de sensibilização e tem sido incansável em mimar-me, de uma amiga fiel que foi ajudar-me com o enchimento de balões, e com a presença do meu mundo...um Deserto fantástico que me enche de vida.
Muito obrigada.
Vou ali...limpar umas pequenas gotas de água que teimam em cair dos olhos....

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Dia da Mãe - Artémis


(imagem da net)


Como publiquei aqui  este ano vai ser a 2ª presença do Distrito de leiria.
O ano passado, primeiro ano, a aderência foi pouca.
Balanço positivo pela cumplicidade entre as pessoas que participaram e viram 11 balões voar pelos céus, no meio de alguma chuva que se fez sentir.
Este ano, assim que fiquei com esta responsabilidade novamente veio o receio, afinal tinha como base de comparação o ano anterior, queria pelo menos os mesmos balões.
Pode parecer contra-senso....se por um lado poucos balões significam poucas perdas então podemos associar o contrário também, muitos balões podem significar mais perdas, o que é uma realidade má.
Mas não é por aí que se deve pensar.
A verdade é cruel mesmo, e sim diariamente há mulheres a passarem por uma morte fetal, em que estágio da gravidez for, mas o que quero interpretar é que este ano há mais pessoas a quererem participar, e é aqui que fico com a sensação de bem estar, ou dever cumprido.
Muitas pessoas vão participar pela primeira vez e vão recordar décadas, e têm desabafado comigo isso mesmo, que em décadas estiveram em silêncio, não queriam falar nem lhes era dada essa oportunidade.
O tabu ainda existe...bebé que não chega a nascer não existiu.
Ponto.
Foge-se do tema, por vezes até das pessoas.
Não se sabe o que se dizer.
A aderência da comunidade faz com que a missão da Associação Projeto Artémis esteja ser bem cumprida....quebrar o tabu do silêncio.
Cada passo dado neste sentido marca a diferença, e este dia 6 de Maio vai ser mais um pequeno-grande passo.
Sinto-me muito grata por poder representar a Artémis, apesar de ser a cidade com menos inscrições é uma grande vitória.
É com muito orgulho que hoje, 2 de Maio, tenho confirmados 24 balões.
É com muita esperança que espero a aderência de mais pessoas.
É com muita gratidão que o faço, que dou a cara por quem me ajudou, por quem me mostrou que não sou a única mãe a quem foi amputado metade de si....porque isso nunca vai mudar, o que muda diariamente é a forma como vejo essa falta de membros...a Matilde é minha filha, e sempre será.
Onde quer que esteja quero que sinta que em forma de amor e respeito por ela posso ajudar outras mães.
Dia 6...balões brancos, rosa e azuis vão simbolizar essa eterna presença, nem que seja numa distãncia daqui até ao céu.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Duas versões de uma casa...a minha




Versão 1
Começa cedo, por vezes ainda não há luz do dia.
Cobertores no chão.
Sofá minado de bonecas, ganchichos das princesas-nã-sei-das-quantas, molinhas para as bonecas que ainda têm um bocado de cabelo, cestos da roupa a fazerem de automóveis, a pequena-maior é a condutora e lá empurra a pequena-mais-pequena que ainda cabe dentro de cesto.
O chão da casa é uma mistura de brinquedos com livros e aguarelas que insistem em pintar o chão de outra cor.
Antes de ir ao wc tenho que fechar os olhos primeiro.
Quando os abro fico dividida entre uma pequena-grande vontade de ralhar com elas com a vontade de rir, quando me explicam a sanita assim pintadinha com vernizes é a sanita das princesas!
E os sapatos da mãe fora do sítio´são justificados pelo baile que vai haver entre princesas.
Quando consigo po-las a dormir a sesta aproveito e lá vou transformar a sanita de princesas numa dita normal, assim como o chão, assim como tudo o que consiga fazer enquanto dormem.
Se acabar as minhas tarefas de empregada de um castelo encantado, deito-me ao pé delas enquanto mexo no comando da tv à caça de qualquer série que goste de ver.
Boa....tá a dar, vou conseguir ver este episódio!
Enconsto-me no sofá enquanto suspiro....ao mesmo tempo que a pequena-maior acorda e pergunta se já é hora de lanche.

Versão 2
Sala com livre trânsito, sendo possível circular-se sem tropeçar em qualquer objecto digno de qualquer princesa.
Sofá aparentemente inteiro.
Silêncio e arrumação.
Esta versão tem uma duração aproximada de 10 horas, intervalo de tempo que vai entre o adormecer e o acordar delas.
É uma versão necessária em qualquer casa, mas confesso que...assim que a versão 1 começa a acontecer tudo tem mais sentido.

Por falar em sentido, vou só ali....tenho um iogurte líquido a gritar em cima do tapete e meio kilo de migalhas a suplicarem para serem aspiradas no sofá.