terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Lá por casa somos 3 a crescer

(imagem da net)

Quando não sou só mãe sou amiga delas.
Umas vezes coloco-me na pele delas e sou pior que as duas juntas, outras tenho que impor autoridade e educação, com represálias pelo meio sempre que se justifique.
Em casa tento sempre fazer algo diferente que as estimule e nos possibilite divertir ao mesmo tempo.
Há os dias da “risada e palhaçada” onde só vale rir!
A regra deste jogo é só uma: Rir!
Depois há os dias das histórias.
Elas vão buscar a história que querem e depois de lidas são elas que me contam histórias.
Escuso dizer que quando é a pequena-mais-pequena a contar passamos à actividade “risada e palhaçada” sem dar conta, no meio do seu bebelês-português-a-fugir-para-o-chinês.
Recentemente a pequena-maior mostra-me uma carta que ela própria tinha escrito.
Eu estava distraída a arrumar umas coisas, abri a carta com alguma pressa e ela ficou à minha frente e pediu para ler em voz alta.
Era uma carta à mana que “está no céu”.
Ela insistiu que lesse...
Assim fiz, com um aperto enorme para manter alguma “postura” já que, confesso, fiquei incrédula.
Perguntei-lhe se ela tinha escrito a carta sozinha, e mostrou-me que sim quando foi buscar uma folha de rascunho, cheia de rabiscos e emendas.
Queria enviar a carta para o céu para desejar um feliz natal à irmã...
Sentámos no chão, disse-lhe que íamos jogar a um jogo novo, era um jogo para os mais crescidos mas que ela já podia jogar, e que se chamava “jogo da verdade”. Ela perguntava e eu respondia como no mundo dos mais crescidos se responde.
De olhos muito abertos ficou a olhar para mim muito interessada.
Expliquei-lhe que não podiamos enviar a carta porque não há correios no céu, e que a mana dela está no céu mas é um céu diferente, é o céu do pensamento dela e por isso está sempre presente.
Perguntou-me quando é que a mana voltava.
Disse-lhe que a mana não volta porque quando se morre não se pode voltar a viver, dei o exemplo da tartaruga “borboleta”, que tinha morrido e não tinha voltado mais.
Disse-lhe que ela faz bem em escrever cartas, mesmo que não sejam enviadas para o céu, ao que ela responde “sempre que tiver saudades vou escrever mãe”.
Observei-a e colocou a carta junto das coisinhas dela.
A morte é uma certeza de todos nós, e mesmo assim nunca estamos preparados para perder alguém.
Explicar a morte a uma criança não é tarefa fácil, mas torna-se menos difícil se não mentirmos, se soubermos acalmar e ouvir, até porque as crianças também sentem saudades, dúvidas, e se forem enganadas sofrem muito mais, ficam à espera do regresso de algo que...não volta.
A forma como se diz é muito importante, principalmente porque vai aprender a viver com essa realidade.
E a vida também é isso...aprender...
Todos os dias são um novo dia cheios de novos desafios nesta missão “ser mãe”.
Partilhar o crescimento delas é o que me move, e não duvido que estou à altura deste maior desafio.
Nunca se tem certeza se é o melhor, muitas dúvidas ficam, mas sinto que faço o meu melhor diariamente, e se hoje as dúvidas insistirem sei que amanhã farei melhor.
Sei...logo faço!

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Que pequena sou...que pequena me sinto

(imagem da net)

Nos últimos 5 dias de internamento da minha pequena-maior conheci uma mãe-coragem e uma menina-guerreira.
A empatia entre nós as quatro foi à primeira vista, dentro do difícil que foram aqueles dias, foram momentos de cumplicidade entre as pequenas que brincavam na cama uma da outra mesmo com as enfremeiras a resmungarem, eu e aquela mãe-coragem fazíamos “turnos” para o banho ou refeições, e quando podíamos iamos juntas ao bar, tomar café ou conversar um bocadinho.
Quando a minha pequena-maior teve alta elas ficaram. Temos mantido o contacto. Com a mãe por telemóvel, e com a menina-guerreira tenho falado através de chat. Com os seus 10 anos dá-me a conhecer as novidades que vai vivendo, os medos que sente, as vitórias que vai conquistando...
Hoje encontramo-nos no hospital. A minha pequena-maior foi a uma consulta de rotina e estive com elas.
Fiquei feliz de as rever, mas confesso que fiquei muito triste também.
Há situações que não deveriam ser permitidas.
Há condições que deveriam ser impostas nesta lei da vida, ou da natureza, ou o que queiram interpretar.
Mas isto não é justo.
Elas iam hoje para casa...passar o Natal e comemorar o novo ano que se aproxima.
Elas estavam felizes, iam para casa!
Tentei parecer feliz, juro que tentei, mas não consegui disfarçar o aperto que senti, a raiva, a revolta...
Queria tanto vê-la bem...
Despediu-se de mim a sorrir “não estou no facebook logo à noite, estou no avião, mas amanhã falamos quando estiver em casa”. Devolvi o sorriso, dei-lhe um abraço apertadinho, e saí...a fugir de pânico que me visse chorar.
Merda para isto.
Depois, e não tem nada a ver, mas até tem...oiço queixumes de várias partes, de várias pessoas.
Que a vida tá difícil.
Que o subsidio de Natal foi cortado.
Que os combustíveis estão caros.
Que o Iva vai aumentar.

Sinceramente...não quero saber, não me importo com nada que seja material, até digo mais...puta que pariu o dinheiro, os materiais, as “coisas”.
Devemos TODOS agradecer por ter saúde, isso sim é que importa.
Não é justo.
Não deveria ser permitido nenhuma criança sofrer, passar por tudo isto...não mesmo.
Que pequena me sinto...

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Aos olhos dos outros

Sou decidida.
Não tenho receios.
Estou sempre bem-disposta.
Pensam que sou de ferro, que tudo suporto, tudo aguento, tudo resolvo...
Se calhar pensam bem, até têm razão, afinal também não tenho alternativa.
Há vidas que dependem de mim, a minha também!
Mas esquecem-se de um pequeno pormenor com a importãncia que vale o que vale é que há situações que me fazem questionar, que tenho receios, medos e dúvidas no meio de certezas que possa ter também, que sou pensativa e consciente do que me rodeia, que também me sinto triste, que também preciso de sorrisos sem nada em troca, que também preciso de ouvir que vai correr tudo bem, que também preciso de um abraço que irradie força e energia, que também preciso de alimentar a auto-confiança que me faça não desistir de mim, que também preciso de um ombro nem que seja só para descansar as ideias.
Entendo que não saibam isto, afinal só dou, dou, dou...tudo de mim!
Esquecem-se que até esse, o ferro, pode enferrujar.
Neste momento gostava de me ver do modo como me vêm.
Era só um bocadinho, o tempo suficiente que me permitisse não quebrar, ou então queria dormir uns diazinhos e acordar em 2012.
Não sei qual das duas é melhor.
Ver-me com lentes alheias corria o risco de me ver um bocado distorcida da realidade, quanto ao desligar-me do mundo por uns dias consigo imaginar-me dentro de uma conchinha, mas tinha o inconveniente de não ver o sol.
Sendo assim vou ali, enfrentar a vida de frente...as usual.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

O que eu gosto mesmo...

...e tenho muita paciência, é mesmo de pessoas portadoras do feitio "nunca tenho culpa".
Este tipo de pessoas, as vítimas, são mal aproveitadas para a profissão que exercem.
Deveriam ser todos actores, assim tinham quase como garantido que tinham plateia, espectadores, aplausos até!
Gosto mesmo muito, principalmente quando nunca estão presentes na vida de quem deveriam nunca estar ausentes.
Gosto mesmo muito, também, quando conseguem mentir anos e anos e ao serem descobertos fazem cara de vítima.
Gosto mesmo muito, também, quando se esquecem de algo que supostamente nunca poderia ser esquecido e eis que respondem "a culpa não foi minha".
Gosto, sério que gosto.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Os Tugas e o Sexo

(imagem da net)

Ora aí está uma notícia que e na minha opinião fica aquém de ser notícia já que considero que até os jornalistas devem ter direito a mostrar trabalho vem animar o país.
Só se fala de crise, discute-se em prol da crise, fecundam-se ideias de bóias de salvação para a dita crise, mas afinal os tugas são bons em...sexo!
Parece que estão "cotados" como sendo ativos e espontãneos!
A parte da notícia que me deu alguma curiosidade foi mesmo o termo espontaneidade.
Lembrei-me de uma ex-colega de trabalho que tive há uns 5 anos atrás, que era casada e me contou com muito orgulho que tinha dias marcados com o marido....para sexo!
Era todas as quarta-feiras à noite, porque era a noite que ela não tinha aulas e, como estava em casa, aproveitava porque lhe dava “mais jeito”. Também podia ser alguns Domingos mas de manhã. Sábados nem pensar porque era o dia estipulados para as limpezas de casa. Nos restantes dias da semana nem pensar!
Para lém dela não perceber como é que o marido não concordava com ela também nunca chegou a perceber porque é que eu desatava a rir com estas “partilhas” de agenda que ela tinha para comigo.
Mas de facto ria-me bastante, imaginava uma agenda, onde em todas as quarta-feiras aparecia como compromisso ou obrigação “sexo”, alguns domingos de manhã também.
Talvez nos restantes dias tivesse registado “tomar banho” ou “lavar os dentes”.
Realmente esta notícia é de mérito, afinal ainda não consegui parar de rir.
Este meu feitio insuportavelmente espontãneo fez-me recordar este episódio, e supor que ainda há quem não veja este “momento” com a espontaneidade que carece, ou por outra....com a obrigação que não carece.
Não pretendo ferir suscetibilidades mas estou a referir-me a casais supostamente normais, que habitam no mesmo teto, com ou sem família constituída, mas que supostamente gostam um do outro, mas vou parar por aqui porque vou ali, ver se consigo parar de rir....

Então a modos que é assim

Penso que já escrevi algo parecido com isto, mas seja como for vou fazê-lo, se for repetido...informação a mais nunca fez mal a ninguém.
Gosto de andar por aqui como sendo a Autora de Sonhos.
Não que tenha grandes idealizações de castelos e principes e cavalos e sapos e afins....mas porque gosto de nome.
Shame on me....
Algumas pessoas sabem quem sou. Conhecem-me da rua, da esplanada do costume, viram a filmagem que coloquei aqui e identificaram-me, outras conhecem-me porque fazem parte da minha vida.
Uma coisa é conhecer outra coisa é viver.
Costumo dizer que há os conhecidos, há os colegas, depois há os amigos, e esses "respiram-me".
Não são eles que são privilegiados....sou eu.
Então estava eu a começar por dizer que algumas pessoas conhecem-me, mas não lhes dá o direito de virem aqui ler e fazerem disto conversa de café.
Eu explico....não sei porque carga de água tenho que encarar um conhecido ou conhecida num café qualquer e em vez de perguntar se, por exemplo, estou viva, perguntam o porquê de eu ter escrito isto ou aquilo.
Ora pois com certeza, a Autora andava mesmo a precisar de dar satisfações a alguém...pois era bonito até!
Mas melhor ainda é uma amiga da amiga de uma conhecida fiquem descansados que vou atalhar e nem falo dos primos das tias das cunhadas das vizinhas me perguntar porque é que não conhece o meu blog?
Ao tempo que me conhece e não sabe que tenho blog, tem que saber pela boca de outra pessoa?
É muito boa essa!
Depois aqui a Autora liga a tal patilha da parvoíce e diz "queres saber se mudei de cuecas ou se não uso?"
E pronto, espero que quem de direito perceba que...a vida lá fora é bonita!
Hoje por acaso tá vento aqui para estes lados, o mar está prestes a devorar a minha praia, mas porque não vão lá ver se está a chover?

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Delas...breves e decididas

(imagem da net)

A pequena-mais-pequena conseguiu em minutos tirar os livros da estante para o chão, espalhou os brinquedos na sala, desarrumou tudo o que tinha à mão, muito concentrada no que estava a fazer.
A pequena-maior então decidiu tomar conta da ocorrência:
-Olha vais arrumar isto, que aqui não há empregados! Temos que ajudar a mãe!
-Não.
-Não? Ai vais sim senhora! A mãe tá a passar a ferro e por isso vais ajudar-me. A-go-ra!!!
-Não, não, não.
-Ai não? Olha tás de castigo!
-Oh mana não.
-Amanhã vou para a escola, a mãe vai trabalhar e ficas aqui sozinha.
-Oh mana não.
-...e ficas com a tartaruga e com os peixes! Queres?
-Não...
-Então comé? Vamos arrumar?
-Xim!

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A pequena-maior perguntou-me o que queria receber de prenda de Natal.
Disse-lhe que o que queria muitos miminhos das duas, muitos abracinhos, muitos beijinhos e que se portassem bem.
Não me respondeu.
Dou com elas abraçadas aos segredos e às risadas.
Diz a pequena-maior ao mesmo tempo que a pequena-mais-pequena ria com a mão à frente da boca:
-Olha mãe já sabemos o que vamos oferecer neste Natal!
-Então se já sabem não podem contar, é surpresa!
-Não, temos que dizer. Se não dissermos ralhas connosco.
-Ralho? Porquê?
-Porque temos que ir para debaixo da árvore, a tua prenda somos nós!