quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

(imagem da net)

Nada é perfeito.
As pessoas não são perfeitas.
As relações de amizade não são perfeitas.
As relações amorosas não são perfeitas.
Os momentos, os instantes sim, podem ser perfeitos.
Mas a perfeição não tem sítio cativo.
A amizade é um sítio.
Só entra quem tem que entrar, só permanece quem tem que permanecer, só perdura se lá, nesse sítio, não houver falsidades, caras disfarçadas, jogos duplos, e sim se existirem vários instantes perfeitos.
O amor também é um sítio.
Lá, neste sítio, mais ninguém consegue entrar para além de duas pessoas que lá habitam, juntas pela imperfeição que ambas criam e recriam, inventam e reinventam.
Não há sitios / amores lhanos.
Não há sítios dificeis / amores difíceis.
Há sítios únicos, por isso imperfeitos e possíveis de serem prolongados num espaço de tempo sem fim à vista, com momentos perfeitos, breves, marcantes, longos e insitentes.
É isso...a imperfeição existe e é para ser vivida, alimentada sempre pelo lado racional, equilibrado, inteligente e arrojado, talvez numa imitação de alimentação de perfeição para a imperfeição.
Só os arrojados, os audazes, os valentes conseguem perceber a perfeição das imperfeições.
Há quem acredite em perfeições, quem viva amizades perfeitas, amores perfeitos, com vidas perfeitas...são as pessoas perfeitas!
Compreendo e respeito que existam, afinal sou imperfeita só posso mesmo é respeitar quem é perfeito.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Estabilidade emocional

É importante em todos, mas nas crianças é bem mais.
Tendo as emoções estabilizadas têm concentração na escola e em todas as atividades diárias, até mesmo durante o sono, não fossem elas cheias de vitalidade....para dar e vender!
O que escrevo é o que penso, não tenho base nenhuma em termos científicos nem estudos feitos não-sei-onde, é o que sinto mediante a caminhada desta missão "mãe".
A pequena-maior nem sempre está...controlada emocionalmente.
Tem motivos para isso....muitos até.
Sei que não tem passado momentos muito bons, na verdade tem sofrido com situações que tem vivido nisto que é o mundo dos adultos, para não falar no acidente e no que viveu, tem ainda a diabetes como realidade.
Para quem não sabe, e ainda bem, a diabetes interfere muito com o sentido de humor.
Há alturas do dia em que os picos de humor são muito variados, pode passar-se de um estado de euforia ou excitação para um estado de tristeza.
Palavra de diabética há quase 27 anos...
Por saber isso, por sentir isso, não exigo nada da minha filha a não ser que converse comigo.
Nem sempre é fácil explicar motivos porque...nem sempre são visíveis, muito menos percebidos.
Hoje a pequena está assim...carente de mais atenção, de mais mimo, de mais incentivo.
Eu cá estarei...sem pedir satisfações...

domingo, 15 de janeiro de 2012

Mr/Mrs Know it All

Quem não conhece esta espécie?
Gostaria de dizer espécie em vias de extinção, mas parece-me que é espécie para durar e durar...
Da parte que me toca, irritam-me.
Conseguem em segundos tirar-me do sério, da calma, da tranquilidade em termos de sanidade mental.
Quem lhes deu o direito de pisar outros? Foi à nascença?
Quem julgam que são para sufocar sonhos de outras pessoas? Que legitimidade têm? Sério, gostava mesmo que me indicassem um motivo que fosse...
Depois e porque não têm argumentos, desaparecem do mapa, deixam de ser o que aparentavam, fogem, sempre que alguém lhes faz frente e lhes diz na cara que não o fazem á minha frente, porque não o permito.
Argumentam-se, esforçam-se, mas não conseguem convencer-me, porque há situações que não quero mesmo saber, não quero mesmo ouvir.
Há situações que não permito...ofenderem, subestimarem, pisarem amigos meus, aqueles que leio só pela voz, pelo olhar, aqueles que cresceram comigo, que sei quem são e sei no que acreditam, e ninguém lhes vai dizer que acreditam mal e que não vão conseguir o que ambicionam....à minha frente não o fazem, e nas minhas costas podem fazer até o dia que eu o descubra.
Nunca disse que era perfeita, nem quero....mas sou assim....
A quem de direito desejo um resto de bom fim-de-semana, e se não for pedir muito aproveitem e vão arranjar vida própria, vão comprar um espelho e olhem-se!

sábado, 14 de janeiro de 2012

Respostas na ponta da língua

Da pequena-maior:

Estava a ralhar com ela porque anda sempre descalça, e depois de a avisar mais uma vez disse-lhe:
-Olha acho que se te desse agora uma palmada que ias calçar-te com uma pinta...
-Achas mãe? Eu não, ias chorar logo a seguir...não vás por aí mãe!
-Então vou por onde? Se calhar vou é dar as tuas pantufas a outras meninas, não as usas!
-Não, também não. As pantufas condizem com os pijamas e depois tinhas que comprar outras...
-Então já sei, vou deixar de me chatear, queres ficar doente fica, não quero saber! Depois vais sozinha ao médico e...
-Oh mãe anda cá, dá cá um beijinho que vou-me calçar.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Às vezes

O "meu" gabinete de trabalho parece um consultório.
Uns aparecem porque lhes dói a cabeça, e se calhar tenho comprimidos.
Outros porque andam com tonturas e ouviram dizer que tenho o aparelhómetro que mede a tensão.
Umas porque foram visitadas inesperadamente pelo "amigo mensal", tão importante e inoportuno algumas vezes, e....se calhar tenho algo que as ajude.
Outras porque querem companhia para um café a seguir a outro que acabaram de tomar.
Uns porque a filha é pequena e a mulher está com aquelas crises hormonais e não tem paciência, como tal querem saber se é normal a criança de 2 meses mamar de 2 em 2 horas.
Outros, fora dali, via skype perguntam se é normal as mulheres se chatearem com eles só porque não apetece peixe para o jantar.
Qualquer dia vou trocar a identificação lá da minha tasca e passar a chamar "Apaga-fogos-de-serviço".
Depois, sem mais nem menos, ainda me dizem ao ir embora "tás com cara de cansada", entao não?
Depois sem dar conta vou para casa a pensar...será que passou a dor de cabeça ao outro? E a bebé do outro, se calhar são cólicas tadinha...já para não falar do outro que tem a mulher com a telha por causa do jantar, realmente haja paciência...
Até parece, pois com certeza, que não tinha mais nada em que pensar né?
Sinceramente.
Depois num supermercado qualquer estou na risada com a sobrinha mais velha e sinto um toque nas costas, quando me viro vejo um amigo a dizer "Só podias ser tu pelo riso parvo".
Ah ah, por acaso....
Vou ali bater com a cabeça já volto....

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Culpas desculpadas

Todos nós, em qualquer momento da nossa vida, sejam décadas, semanas, dias, ou agora, temos receios de falhar, de errar, de decidir mal.
Claro que não sou exceção, mas já tive mais receios do que atualmente, talvez por já ter errado algumas vezes.
Sem perder muito tempo em pensar nelas, sei que foram mea culpa, não culpo mais ninguém para além de Myself.
Podia fazê-lo, com culpados identificados seria mais fácil, também podia culpar os raios cósmicos, desde que me enganasse e não me assumisse.
Mas não sou assim, fiz o que achei melhor, sinal que tomei rédeas da minha vida, sinal que fiz planos, que me comprometi com alguma coisa, que decidi, e se agora afirmo que foi mal feito ou mal decidido é porque o fiz!
Apesar de nunca ter tido grandes oportunidades de manifestar as minhas opiniões ou gostos, nunca me encostei no sofá à espera que alguém decidisse a minha vida, sempre fiz por mim mediante o que podia e a liberdade que me davam.
Nem sempre concordei com algumas coisas, mas sempre soube desempenhar o papel filha, sempre soube que a gratidão e respeito que poderia dar em troca de não´s sem justificação aparente, era porque por qualquer motivo era o melhor para mim, e acima de tudo nunca envergonhei os meus pais.
Nunca soube o que era dormir toda a manhã, porque sempre ajudei a minha mãe desde muito pequena, e já maior ajudava o meu pai com as papeladas.
Nunca soube o que era férias de escola porque ia trabalhar para e com os meus pais.
Nunca soube impor-me porque respeitava o que me diziam, mesmo não percebendo o fundamento dos não´s que me davam.
Nunca soube mentir, e por ser sempre sincera deixei de viver tantas coisas próprias da idade.
Não os culpo, antes pelo contrário, só tenho a agradecer por isso, mesmo não concordando ainda hoje com tantas exigências que me eram feitas, agora sou eu que estou neste lado, o lado da proteção de duas filhas, da educação que tento ser a correta, e como tal agora tenho que fazer o que considero importante para elas, nunca esquecendo que continuo a desempenhar o papel de filha.
Aprendi a ouvir-me, sempre me ouvi mas nem sempre me dei voz.
Aprendi a libertar-me, sempre me conheci mas nem sempre me dei a conhecer.
Aprendi a acreditar num dia melhor.
Aprendi a festejar as minhas vitórias, insignificantes para uns e grandiosas para mim.
Aprendi a viver as minhas angústias.
Sou a responsável pelo que fiz de mal e pelo que tenho feito de bom.
Culpo-me por ser quem sou.
Desculpo-me por gostar de mim assim...culpada.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Divagações

(imagem da net)

Noutro dia, ou um dia desdes qualquer, dei por mim a pensar na sociedade em que vivemos.
Tenho este grande defeito....gosto de pensar, não quer dizer que pense alguma coisa de jeito, mas penso.
Então dei por mim e fiquei preocupada com o que as minhas filhas poderão ou não esperar, de futuro.
Não me refiro a condições de vida, ou se vão poder ou não tirar o curso que querem, ou se vão ou não ter um trabalho que as realize.
Refiro-me a valores, tão pouco frequentes hoje em dia, valores em desuso.
As pessoas hoje são cínicas, andam mascaradas de boas qualidades, de simpatias, de educação.
Vão pelo mais fácil, pelo que cansa menos.
Para o lanche da escola os miúdos levam bollycaos ou bolachas cheias de açucar, porque é mais fácil pôr isso na mochila, trabalhoso é fazer uma sandes.
Não há tempo!
No trânsito a impaciência prevalece.
Apita-se porque o carro da frente vai a 20 à hora e....estamos com pressa!
Numa fila de supermercado não damos a vez a um idoso porque ele não tem mais que fazer, até deve estar reformado, tem todo o tempo do mundo e nós...nós temos pressa!
Para quê sorrir para um desconhecido? Não se conhece de lado nenhum!
Prevalece a insensibilidade!
Hoje em dia qualquer frase como “bom dia” ou “boa tarde” se torna caro....epá não há tempo para essas mariquices!
As relações humanas tendem a ficar de mal a pior.
Não há paciência nem tolerância para pseudo-amizades.
Exigimos de tudo e de todos.
Já só falta passarem a existir acordos escritos entre amigos, um assina em cima outro em baixo, se a meio da amizade um decide questionar uma vírgula que seja....sai fora!
Já para não falar noutro tipo de relações....não há tempo para cativar, para elogiar, para dizer “Gosto de ti”.
Mariquices, larilices, lamechices...é assim que se pensa, não se diz o quanto se precisa de outro alguém, o medo de ser envergonhado, de ser gozado, de ser usado.
No mundo do trabalho a coisa não difere.
Vale tudo, se é para subir subimos!
Passa-se por cima de tudo e de todos, e quando não há argumentos vem a ofensa como fim de conversa, como ponto final, e sem parágrafo.
Ontem, numa reunião de trabalho, disseram-me “estás inspirada Autora”, pois de facto não estava, estava munida com algo que se chama “razão” ou “saber fazer” ou “não me pisem os calos”, e quando a tenho nem a entidade patronal me faz calar ou engolir em seco. Mas por a ter não me dá direito de subestimar ninguém, dá-me a legitimidade de me defender, e isso basta-me, mas para isso têm que me ouvir!
E ouviram...mas continuando...Nem na política temos políticos, temos sim actores ou fantoches, vivem a decorar textos que alguém escreve, todos menos eles próprios, apenas dão voz ao que decoram, resta saber se na verdade concordam ou não com aquilo.
Hoje em dia não se pensa antes de se falar.
Hoje em dia estamos rodeados de monos emocionais, de monos profissionais...atrevo-me a dizer monos humanos onde nem sempre se aplica a máxima “penso logo existo”, pois existem por existir.
E pior que ser mono de toda a natureza é ainda conseguirem dormir descansados....
É por isto, também, que gosto de andar cá...sem máscaras, e fora de moda.